Descontinuando o Spin Fedora BrOffice.org

Depois de 5 lançamentos, já contando com o eminente Fedora 14, chegou a hora de descontinuar o Spin BrOffice.org. É do conhecimento geral que foi criado um fork do OpenOffice.org, o LibreOffice, há pouco tempo. A boa notícia é que o Fedora incluirá o LibreOffice a partir da próxima versão. Com isso, felizmente não teremos mais os problemas de marca com o OpenOffice.org. Além do mais, acho importante apoiarmos a marca LibreOffice e consolidá-la na distribuição.

Foi muito bom termos esse Spin durante todo esse tempo e creio que ele teve um papel muito importante no projeto brasileiro e nas nossas relações com a comunidade. Acho muito importante termos um spin mantido por aqui e apoiarei novas iniciativas que sejam condizentes com as necessidades.

O Spin SIG passará por modificações no próximo ciclo de desenvolvimento e é bom ficar atento a isso. Como não serei mais o mantenedor, aproveitarei para me dedicar mais ao projeto de embaixadores.

Obrigado a todos que apoiaram essa iniciativa desde o início. Vocês sabem que não foi simples aprová-la, entretanto considero que foi um projeto muito bem sucedido.

O que eu não posso deixar para trás – parte 2

No post anterior já contei que descobri o álbum “All That You Can’t Leave Behind” do U2 através da música “Stuck in a Moment You Can’t Get Out Of”. Neste post darei as minhas impressões sobre as outras faixas do disco.

Depois de uma pequena novela para comprar o CD, percebi que o primeiro single, “Beautiful Day“, tinha passado despercebido por mim. O mais interessante dessa música é a volta da Gibson Explorer do Edge. Essa é uma guitarra característica do início da banda, mas que se encaixou muito bem no novo som. A terceira faixa do disco, “Elevation“, era a mais diferenciada até então. Provavelmente é a música mais rápida do álbum e a que fez mais sucesso. Os efeitos da guitarra são bem característicos do som da banda. A quarta faixa segue a linha política do U2. “Walk On” é dedicada a Aung San Suu Kyi, líder política da Birmânia que luta contra a o regime ditatorial do país dela. Inclusive ela está presa até hoje. Se “All That You Can’t Leave Behind” fosse uma pergunta, os versos de “Walk On” seriam a resposta: “And love is not the easy thing…. / The only baggage you can bring / Is all that you can’t leave behind”. A letra dá margem a todo tipo de interpretação, o que certamente foi proposital.

Capa do álbum

A próxima música é “Kite“, uma das melhores do U2. “Kite” é resultado da época em que o pai de Bono, Bob Hewson, estava com câncer. Ele acabou morrendo durante a Elevation Tour, o que deixou a interpretação da música ainda mais emocionante. A música seguinte, “In A Little While“, além de um riff genial, guarda uma história curiosa. Foi a última música que Joey Ramone ouviu. Era uma das músicas preferidas dele e continua sendo tocada até hoje nas turnês, embora não tenha sido lançada como single. A 7ª faixa, “Wild Honey“, tem um ar beatlemaníaco e foi tocada poucas vezes ao vivo, mas é uma música muito agradável, assim como “In A Little While”. Já “Peace On Earth” é uma música praticamente falada, na qual Bono clama por paz e questiona sua própria religiosidade.

A próxima faixa, “When I Look At The World“, está entre as minhas letras preferidas. Sempre que ouço essa música lembro de como é possível as pessoas terem tantas opiniões diferentes sobre um determinando assunto e de como elas olham para o mundo de perspectivas distintas. É uma letra que diz muito em poucas palavras. A penúltima música, “New York“, é a mais pesada do disco. É interessante que e a letra dela tenha sido alterada depois dos atentados de 11 de Setembro. A letra original dizia o seguinte: “They got the airport, city hall, concrete, asphalt, they even got the police / Irish, Italian, Jews and Hispanics / Religious nuts, political fanatics in the stew”. Nas versões ao vivo pode-se ouvir algo como “Religious nuts and political fanatics don’t belong”. “New York” prova o tanto que Edge, Adam e Larry são bons ao vivo. As versões da turnê são infinitamente superiores à versão de estúdio.

Na última música, “Grace“, Bono mostra a religiosidade característica de um filho de pai protestante e mãe católica que cresceu na Irlanda com todos os problemas sectários daquele país. Em alguns outros países, o “All That You Can’t Leave Behind” contém uma faixa extra chamada “The Ground Beneath Her Feet“. Ela foi feita para o filme e livro “O Chã Que Ela Pisa”, do corajoso autor Salman Rushdie, amigo da banda, conhecido pelo ateísmo e pela polêmica gerada pelo livro “Versos Satânicos”.

“All That You Can’t Leave Behind” não é o melhor álbum do U2, mas é uma obra inteiramente consistente mesmo fazendo uso de contrastes, tem grandes canções que perduram até hoje nos shows e viraram clássicos da banda. Mais do que isso, “All That You Can’t Leave Behind” é o disco que me fez ouvir música de uma perspectiva diferente. Esse conjunto de canções me levou a entender música como algo além de riffs legais e palavras bem colocadas. Música para mim passou a ser algo que deveria ter um propósito, uma ideia ou então não seria música boa de verdade. Quem sabe daqui a 5 ou 10 anos eu possa fazer uma resenha de outro disco que foi relevante para mim, como “A Rush Of Blood To The Head” do Coldplay, “In Rainbows” do Radiohead ou “The Fall” da Norah Jones. Até lá eles terão tempo suficiente para provarem se realmente foram e são importantes.

O que eu não posso deixar para trás – parte 1

Há dez anos atrás o U2 lançava “All That You Can’t Leave Behind”, o décimo álbum de estúdio da banda irlandesa. Na época eu não espera por esse lançamento. Eu provavelmente não sabia dele e certamente não dava a mínima. Como de costume, antes do lançamento do álbum, é lançado o primeiro single. “Beautiful Day”, a música escolhida para abrir o álbum também foi escolhida como primeira música de trabalho. O que mudou para mim? Nada. Não me recordo de ter visto o clipe de “Beautiful Day”, nem sequer de ter ouvido a música.

Na verdade, o que me chamou atenção foi o single seguinte, “Stuck in a Moment You Can’t Get Out Of”. Lembro bem que via o clipe dessa música no Top 20 da MTV (numa época em que a MTV ainda era boa ou que eu tinha saco para assistir, não sei). Eu saía correndo do cursinho para conseguir chegar em casa a tempo e conseguir ver o clipe. Poucas músicas tinham me interessado como essa. A letra, dedicada por Bono a Michael Hutchence, tinha uma densidade que era nova para mim. Eu não me identificava com as palavras, mas elas me pareciam honestas, de um amigo para outro, separados pelas drogas, depressão e consequentemente pela morte. O clipe retrata bem isso e estava muito acima da média dos outros clipes que passavam na época. É um vídeo barato, com simples efeitos de câmera, figurando apenas os 4 integrantes da banda e que termina com um singelo e simbólico aperto de mão.

Acho que nada melhor do que um dos autores para explicar a motivação da música:

It’s a row between mates. You’re kinda trying to wake them up out of an idea. In my case it’s a row I didn’t have while he was alive. I feel the biggest respect I could pay to him was not to write some stupid soppy fucking song, so I wrote a really tough, nasty little number, slapping him around the head. And I’m sorry, but that’s how it came out of me. — Bono

A mensagem não tinha nenhum significado imediato para mim, mas eu sabia que era importante de alguma forma e que poderia crescer em relevância com o tempo. Não demorou até que a música fizesse todo sentido e eu pudesse internalizá-la com a minha interpretação. Com o tempo o significado de cada palavra foi aparecendo no cotidiano, cada nota traduzia novas percepções e “Stuck in a Moment” acabou se tornando uma música necessária. Há muita coisa ali daquela época, mas o mais interessante é que ela não ficou presa caracterizando aqueles tempos. Ainda hoje ela faz sentido e é ouvida e tocada sempre que surge aquele momento.

Talvez o mais importante desse single tenha sido o legado dele. O U2 não era uma banda que eu tinha prestado atenção. Como a minha tendência é sempre me alongar, o restante da história com o “All That You Can’t Leave Behind” fica para um próximo post!

“I’m just trying to find a decent melody
A song that I can sing in my own company”

Manchas da onda verde

Se você não sabe em quem vai votar, provavelmente votará em Marina Silva. A impressão é de que todo mundo vai votar nela. De uma hora para outra parece que as pessoas descobriram que existe uma “terceira via”. Uma das coisas que me questiono é se essas pessoas realmente vão votar nela porque concordam com as suas posições e projetos ou se é porque simplesmente não tem mais ninguém em quem votar.

Marina Silva claramente é uma pessoa inteligente e capacitada, mas e quanto às ideias dela? A candidata do PV defende um plebiscito para as questões do aborto e células troncoembrionárias alegando que a população brasileira tem maturidade para discutir o assunto. Por outro lado, ela também diz que a educação se encontra num estado deplorável. Isso me parece bastante contraditório. Duvido muito que, com o nível educacional dos últimos 30 anos, tenhamos uma população com maturidade para discutir essas questões. Basta ver o que aconteceu com o referendo sobre o desarmamento.

Especificamente sobre o aborto, Marina Silva trata a questão de maneira tendenciosa. Em um dos debates, ela disse que essa questão envolve aspectos “espirituais” que devem ser debatidos. Essa é uma opinião condizente com a formação conservadora da candidata. A opinião é legítima, mas difícil de concordar. Penso que o ministro saúde, José Gomes Temporão, possui uma opinião mais sensata. Segundo ele, a descriminalização do aborto deve ser tratada como uma questão de saúde pública. O aspecto religioso é sim muito importante na nossa sociedade. Entretanto, vale lembrar que o estado é laico e as políticas públicas não devem favorecer nenhuma corrente religiosa, ainda que seja a corrente majoritária.

As pessoas finalmente descobriram Marina Silva, mas será que elas descobriram o Partido Verde? Dos muitos que agora votarão nela, a esmagadora maioria certamente não votará em um deputado federal do PV. Portanto, já que o partido não tem uma coligação, então com quem governará? Será muito difícil obter representabilidade e governabilidade num governo de um só partido. Marina se diz a pessoa capaz de unir PSDB e PT, mas já sabemos que ela perdeu uma grande oportunidade, já que estava no PT e preferiu se filiar ao PV em vez de ser fiel e lutar para modificar o que há de errado no seu antigo partido. Assim como Lula não era novidade, ela também não é. Assim como o PSDB abriga Álvaro Dias e o PT abriga José Dirceu, o PV abriga políticos de intenções contestáveis como Fernando Gabeira e “Doutor” Antônio Roberto.

Nem de longe Marina Silva é um desastre, mas também não é a salvadora da pátria, muito menos representa uma grande mudança de pensamento.

A bananice do voto nulo

Volta e meia vejo alguém recomendando o voto nulo, seja nessas eleições ou em qualquer outra. Particularmente, não vejo qual objetivo essas pessoas estão tentando atingir. É do conhecimento geral que no Brasil apenas são levados em conta os votos válidos, ou seja, votos nulos e brancos são excluídos da conta. É bem provável que a urna eletrônica sequer conte o voto nulo. Portanto, quem pensa em votar nulo para “protestar” está fazendo algo completamente inútil, já que no final das contas nunca ficamos sabendo exatamente quantos votos foram anulados. Mesmo que a urna contabilizasse isso, não faria muita diferença, pois a nossa legislação eleitoral não estipula nenhum limite máximo de votos nulos para que haja novas eleições ou algo assim. Na prática, se todo mundo anular o voto e eu escolher um candidato, então ele será eleito.

Outras pessoas dizem que anulam o voto porque não querem ter a responsabilidade de escolher alguém ruim. Isso é pior ainda. É basicamente tirar o corpo fora para se isentar de qualquer cobrança depois. Além disso, elas não tem o trabalho de procurar se informar. É muito cômodo e intelectualmente desonesto.

Se você acha um absurdo ter que comparecer à seção eleitoral, então pelo menos vá lá e vote em um candidato a favor do voto facultativo. Quem sabe nas próximas eleições você possa ficar em casa dormindo. Apoiar o voto facultativo com um limite máximo de abstenção é totalmente legítimo e objetivo. A bananice está em se isentar em um sistema que ignora o direito de não escolher, deixando que outros escolham por você. Ainda vale a pena lembrar que há pouco tempo vivíamos sob uma ditadura e muitos foram mortos e torturados defendendo as liberdades que temos hoje. A democracia não é para impedir que os ruins ganhem, mas sim para evitar que eles fiquem no poder para sempre.

Instalando o Fedora em um pendrive

O lançamento do Fedora 13 está se aproximando e muitos usuários já estão preparando seus backups para a nova versão, assim como as mídias necessárias para gravar as imagens baixadas da Internet. Entretanto, pessoas mais preocupadas com o custo ambiental da produção e descarte de CDs e DVDs ou que simplesmente não queiram gastar com mídias óticas, optam por outras alternativas. Uma delas é a instalação a partir de pendrives, o que é bastante simples e pode ser feito tanto a partir de máquinas com Linux ou Windows.

Vamos aos passos:

1º – Baixe o arquivo da imagem ISO de um LiveCD. Particularmente recomendo o Spin BrOffice.org que já vem em Português por padrão. Ele está disponível em:

2º – Baixe o LiveUSB Creator, o programa que faz a mágica acontecer:

3º – Insira o pendrive numa porta USB e abra o LiveUSB Creator

  • Clique em “Browse” e selecione o arquivo .ISO que você baixou.
  • Pronto, agora é só clicar em “Create Live USB”.

No LiveUSB Creator há outras opções como baixar o Fedora diretamente por ele ou criar um espaço de armazenamento persistente. Essa última opção é interessante para quem quer utilizar o Fedora a partir do pendrive no dia-a-dia, mas se tudo o que você quer é instalar o sistema no seu disco rígido, isso não é necessário.

Há um mês atrás no Rio de Janeiro…

Não cheguei a postar nada aqui na época do show do Coldplay e ao que parece, pelo no calendário, já faz um mês que fui ao Rio de Janeiro. Não farei nenhum juízo de valor sobre o show pois sou altamente suspeito para falar, mas nesse vídeo que gravei a partir da grade de uma das passarelas, vocês podem conferir um pouquinho do que foi a emoção de estar na Praça da Apoteose com o Coldplay e mais 38 mil coldplayers, incluindo a Senhora Ellen Andrade, suas batatas Ruffles e um par de Havaianas recém comprados pela mesma.


The Hardest Part + Postcards From Far Away

“I wonder what it’s all about
Everything I know is wrong
Everything I do it just comes undone
And everything is torn apart
Oh and it’s the hardest part
That’s the hardest part”

Por que não usar formatos como mp3 e wma

Há cerca de um ano atrás fui consultado pelo IDG Now! sobre as dificuldades que o código aberto enfrenta em relação às patentes de software. Também escrevi uma coluna na 3ª edição da Revista Fedora Brasil sobre esse tema. A verdade é que nada mudou de lá para cá, então este post se faz necessário.

O melhor exemplo dessa questão são os formatos de mídia digital como mp3, wma e rmvb. Para quem não sabe, esses formatos são patentados em vários países. O reflexo imediato é que isso aumenta o custo de qualquer programa ou equipamento que reproduza esses tipos de arquivos.

O que você pode estar pensando agora é que em nenhum momento foi cobrado por isso. Engano o seu. O preço dos royalties (licenciamentos dessas patentes) está embutido na licença do seu sistema operacional (se é que você pagou por ela), do seu mp3 player e do aparelho de DVD que está aí perto da sua TV. Um dado interessante sobre essa questão é que o licenciamento desses formatos é responsável por até 1/4 do preço dos aparelhos de DVD.

A melhor parte é que você pode fazer algo para mudar isso, afinal de contas é o seu dinheiro que está em jogo. Para tanto, basta privilegiar formatos como o ogg, ogv ou flac na hora de ripar seus CDs, por exemplo, ou converter os arquivos que você já tem para compartilhá-los com outras pessoas. Esses formatos não são patenteados e podem ser implementados de maneira aberta e sem ônus. Privilegiá-los é essencial para torná-los mais conhecidos e para que um dia possam ser tornar um padrão, pois assim, além de você não pagar pelos royalties, não terá que se preocupar se o reprodutor que você pretende comprar roda mp3, mpeg, DivX ou seja lá o que for.

Passando a bola

Como é do conhecimento daqueles que acompanham o meu trabalho no Projeto Fedora, eu deixei a coordenação da equipe de tradução do nosso idioma. Foram quatro anos trabalhando nas traduções como um todo e três anos como coordenador. Foi um trabalho muito gratificante e com um retorno que eu jamais imaginaria em princípio.

Quem assume a coordenação agora é Taylon Silmer, que também é de Belo Horizonte e já faz parte do time de tradução do Fedora e do GNOME. Um dos desafios do novo coordenador será adaptar as interfaces para as novas regras ortográficas e manter o interesse da comunidade nas traduções.

É difícil deixar um trabalho reconhecido e bem sucedido como esse, mas em contrapartida vejo a necessidade de aprender algo novo. Agora pretendo ajudar na triagem, relato de bugs e QA (Quality Assurance – Garantia de Qualidade) de internacionalização, além de continuar mantendo o Spin BrOffice.org.

Eu gostaria de agradecer nominalmente ao Rodrigo Padula e ao Diego Zacarão que foram as primeiras pessoas com quem tive contato no projeto, ao Henrique Junior da Revista Fedora Brasil, a todos que sempre me apoiaram nesse tempo todo e principalmente aos que criticaram e ajudaram a melhorar os processos.