U2x2

Depois de 5 anos voltei ao Morumbi. Eles também. São poucas coisas as quais eu gosto de repetir, mas um show do U2 está entre elas. É incrível quanto tempo se passou desde o último show e como tantas coisas mudaram e outras nem tanto. Uma coisa que certamente não mudou foi a primazia da banda ao vivo. Particularmente, esperava um U2 mais envelhecido e cansado, mas o que eu vi foi uma banda mais uma vez criativa, emocionante e ciente do contexto onde eles estavam se apresentando.

Tive a oportunidade de ouvir “Stuck In A Moment” outra vez ao vivo. Quem já leu posts anteriores provavelmente já sabe o tanto que gosto dessa música. Entretanto, não foi só isso. Felizmente eles tocaram várias músicas que não tive a oportunidade de ouvir da outra vez, como “Even Better Than The Real Thing”, “I Will Follow” e, quem diria, “In A Little While”, além é claro das músicas recentes do “No Line On The Horizon” como “Magnificent” e “Moment Of Surrender”. Essa última, com direito a uma homenagem às vítimas do massacre na escola Tasso da Silveira (bela pronúncia, Bono!) no Rio de Janeiro. Isso não foi uma surpresa para quem conhece o U2, mas não deixou de ser emocionante.

A surpresa mesmo ficou por conta dos versos de “Carinhoso” de Pixinguinha, música do início do século passado, que foi recitada por uma menina aleatória da plateia. Ainda que eu não tenha visto esses versos na letra original, Bono e ela os ficaram repetindo até que fossem emendados com os primeiros acordes de “Beautiful Day” de maneira brilhante. Acho que não tinha coisa melhor que eu poderia ter ouvido, somando-se os versos da antiga música em português aos versos do clássico recente em inglês. Simplesmente encaixou.

Com relação às diferenças entre o show da turnê anterior e desta turnê, a que é mais visível é o palco. Eu poderia dizer que o palco é um show a parte, mas não é. Já num estágio avançado da turnê, a banda parece ter uma boa noção de como tirar o melhor proveito dele e, apesar da megalomania, ela e o seu mostro se mostraram bastante entrosados. Isso fez toda a diferença, porque o leiaute do palco anterior, apesar de também enorme, era muito parecido com o utilizado por outras bandas como o Coldplay ou em festivais. Dessa vez foi um elemento completamente inovador, que facilitava acompanhar os detalhes do show, fora os efeitos desconcertantes.

Como não podia deixar de ser, nem tudo foram flores. Houve problemas para quem comprou ingressos no Mastercard Showpass, incluindo para mim. Também não foi dessa vez que ouvi o U2 tocando “Ultraviolet”, nem o Muse tocando “Resistance” no show de abertura. Houve quem não gostou da abertura, mas o Muse começou a noite muito bem, com uma entrada ensurdecedora. Achei legal também a gratidão do Bono com elogios à banda inglesa. Outro aspecto interessante foi ter tocado Demônios da Garoa como uma das músicas introdutórias antes de começarem os shows. Além disso, entre o show do Muse e do U2 tocou “Lotus Flower” do Radiohead. Lembro bem que no show do Coldplay colocaram, além de “Danúbio Azul”, “Magnificent” do próprio U2 em alto e bom som. Sempre legal ver essa camaradagem entre as bandas.

Nesse meio tempo entre o show de abertura e o show do U2, aproveitei para gravar um vídeo (mal feito, é lógico) com um giro de 360° na U2 360° no Morumbi:

Foi uma viagem a São Paulo cheia de azares cômicos, o que não podia ser diferente, comigo e com o Daniel nos mesmo lugares ao mesmo tempo. São Paulo como sempre foi uma cidade boa de se visitar, apesar da chuva e da sujeira do centro da cidade. Foram passeios ótimos no Museu da Língua Portuguesa, no Mercado Municipal e na onipotente Avenida Paulista. Não importa quantas vezes você vá a São Paulo, é uma cidade na qual sempre há algo ainda por conhecer. Sempre fica a vontade de voltar. “São Paulo da garoa, São Paulo terra boa” — cantou o próprio Bono, que fez parar do chover literalmente ao entrar no palco.

Ficamos devendo o chiclete de uva da Bruna. Chiclete esse que eu insisto que não existe, apesar das evidências não muito concretas que provam o contrário!

(…)
Mas mesmo assim, serei feliz
Bem feliz
Serei feliz
Bem feliz
Serei feliz

The heart is a bloom, shoots up through stony ground
But there’s no room, no space to rent in this town
You’re out of luck and the reason that you had to care,
The traffic is stuck and you’re not moving anywhere.
You thought you’d found a friend to take you out of this place
Someone you could lend a hand in return for grace

It’s a beautiful day, the sky falls
And you feel like it’s a beautiful day
It’s a beautiful day
Don’t let it get away
(…)

Carinhoso + Beautiful Day

Leave a Reply

Your email address will not be published.Required fields are marked *