O que eu não posso deixar para trás – parte 1

Há dez anos atrás o U2 lançava “All That You Can’t Leave Behind”, o décimo álbum de estúdio da banda irlandesa. Na época eu não espera por esse lançamento. Eu provavelmente não sabia dele e certamente não dava a mínima. Como de costume, antes do lançamento do álbum, é lançado o primeiro single. “Beautiful Day”, a música escolhida para abrir o álbum também foi escolhida como primeira música de trabalho. O que mudou para mim? Nada. Não me recordo de ter visto o clipe de “Beautiful Day”, nem sequer de ter ouvido a música.

Na verdade, o que me chamou atenção foi o single seguinte, “Stuck in a Moment You Can’t Get Out Of”. Lembro bem que via o clipe dessa música no Top 20 da MTV (numa época em que a MTV ainda era boa ou que eu tinha saco para assistir, não sei). Eu saía correndo do cursinho para conseguir chegar em casa a tempo e conseguir ver o clipe. Poucas músicas tinham me interessado como essa. A letra, dedicada por Bono a Michael Hutchence, tinha uma densidade que era nova para mim. Eu não me identificava com as palavras, mas elas me pareciam honestas, de um amigo para outro, separados pelas drogas, depressão e consequentemente pela morte. O clipe retrata bem isso e estava muito acima da média dos outros clipes que passavam na época. É um vídeo barato, com simples efeitos de câmera, figurando apenas os 4 integrantes da banda e que termina com um singelo e simbólico aperto de mão.

Acho que nada melhor do que um dos autores para explicar a motivação da música:

It’s a row between mates. You’re kinda trying to wake them up out of an idea. In my case it’s a row I didn’t have while he was alive. I feel the biggest respect I could pay to him was not to write some stupid soppy fucking song, so I wrote a really tough, nasty little number, slapping him around the head. And I’m sorry, but that’s how it came out of me. — Bono

A mensagem não tinha nenhum significado imediato para mim, mas eu sabia que era importante de alguma forma e que poderia crescer em relevância com o tempo. Não demorou até que a música fizesse todo sentido e eu pudesse internalizá-la com a minha interpretação. Com o tempo o significado de cada palavra foi aparecendo no cotidiano, cada nota traduzia novas percepções e “Stuck in a Moment” acabou se tornando uma música necessária. Há muita coisa ali daquela época, mas o mais interessante é que ela não ficou presa caracterizando aqueles tempos. Ainda hoje ela faz sentido e é ouvida e tocada sempre que surge aquele momento.

Talvez o mais importante desse single tenha sido o legado dele. O U2 não era uma banda que eu tinha prestado atenção. Como a minha tendência é sempre me alongar, o restante da história com o “All That You Can’t Leave Behind” fica para um próximo post!

“I’m just trying to find a decent melody
A song that I can sing in my own company”

1 thought on “O que eu não posso deixar para trás – parte 1

  1. Pingback: O que eu não posso deixar para trás – parte 2

Leave a Reply

Your email address will not be published.Required fields are marked *