Por que não usar formatos como mp3 e wma

Há cerca de um ano atrás fui consultado pelo IDG Now! sobre as dificuldades que o código aberto enfrenta em relação às patentes de software. Também escrevi uma coluna na 3ª edição da Revista Fedora Brasil sobre esse tema. A verdade é que nada mudou de lá para cá, então este post se faz necessário.

O melhor exemplo dessa questão são os formatos de mídia digital como mp3, wma e rmvb. Para quem não sabe, esses formatos são patentados em vários países. O reflexo imediato é que isso aumenta o custo de qualquer programa ou equipamento que reproduza esses tipos de arquivos.

O que você pode estar pensando agora é que em nenhum momento foi cobrado por isso. Engano o seu. O preço dos royalties (licenciamentos dessas patentes) está embutido na licença do seu sistema operacional (se é que você pagou por ela), do seu mp3 player e do aparelho de DVD que está aí perto da sua TV. Um dado interessante sobre essa questão é que o licenciamento desses formatos é responsável por até 1/4 do preço dos aparelhos de DVD.

A melhor parte é que você pode fazer algo para mudar isso, afinal de contas é o seu dinheiro que está em jogo. Para tanto, basta privilegiar formatos como o ogg, ogv ou flac na hora de ripar seus CDs, por exemplo, ou converter os arquivos que você já tem para compartilhá-los com outras pessoas. Esses formatos não são patenteados e podem ser implementados de maneira aberta e sem ônus. Privilegiá-los é essencial para torná-los mais conhecidos e para que um dia possam ser tornar um padrão, pois assim, além de você não pagar pelos royalties, não terá que se preocupar se o reprodutor que você pretende comprar roda mp3, mpeg, DivX ou seja lá o que for.

11 thoughts on “Por que não usar formatos como mp3 e wma

  1. Estou pensando em converter toda a minha biblioteca em formato mp3 para formato ogg. No entanto, esses arquivos estão devidamente catalogados, com vários metadados e até a capa de cada álbum foi inserida nele. Você conhece algum aplicativo que é capaz de fazer a conversão para ogg preservando todos esses metadados?

  2. Normalmente eu uso o SoundConverter para converter os meus arquivos. Ele é bastante simples e tenho certeza que preserva os metadados básicos. Não estou certo se ele preservará a capa do álbum no seu caso, mas vale a pena testá-lo em alguns arquivos. Oura boa dica é usar o EasyTag para organizar os arquivos e os seus respectivos metadados.

  3. Além de baixa demanda, o OGG tem alguns problemas de implementação e certos recursos só existem no MP3 (não me lembro quais e estou sem saco pra pesquisar). Estes, obviamente, são o empecilho-mor, afinal todo mundo adoraria cortar custos, aumentar o lucro e viver feliz pra sempre num mundo sem formatos proprietários devoradores de ativos.


  4. igor:

    Normalmente eu uso o SoundConverter para converter os meus arquivos. Ele é bastante simples e tenho certeza que preserva os metadados básicos. Não estou certo se ele preservará a capa do álbum no seu caso, mas vale a pena testá-lo em alguns arquivos. Oura boa dica é usar o EasyTag para organizar os arquivos e os seus respectivos metadados.

    O SoundConverter não deu muito certo em algumas tentativas que fiz. Eu usei o easyTag mesmo para catalogar toda a minha biblioteca e deu um trabalhão danado, por isso queria manter todos os metadados. Irei dar uma pesquisada melhor para ver o que encontro. Obrigado pela dica =)


  5. Richard Van Dehrer:

    Além de baixa demanda, o OGG tem alguns problemas de implementação e certos recursos só existem no MP3 (não me lembro quais e estou sem saco pra pesquisar). Estes, obviamente, são o empecilho-mor, afinal todo mundo adoraria cortar custos, aumentar o lucro e viver feliz pra sempre num mundo sem formatos proprietários devoradores de ativos.

    Eu adoraria saber quais são esses recursos. Outra vantagem do ogg é que, em determinados bitrates, ele gera arquivos menores do que o mp3. Se você souber das desvantagens do ogg acho que também seria do interesse dos leitores.


  6. igor:


    Richard Van Dehrer:

    Além de baixa demanda, o OGG tem alguns problemas de implementação e certos recursos só existem no MP3 (não me lembro quais e estou sem saco pra pesquisar). Estes, obviamente, são o empecilho-mor, afinal todo mundo adoraria cortar custos, aumentar o lucro e viver feliz pra sempre num mundo sem formatos proprietários devoradores de ativos.

    Eu adoraria saber quais são esses recursos. Outra vantagem do ogg é que, em determinados bitrates, ele gera arquivos menores do que o mp3. Se você souber das desvantagens do ogg acho que também seria do interesse dos leitores.

    O container é pouco otimizado, complexo, gera overhead demais na codificação/decodificação (o que impede implementações decentes em dispositivos móveis), mapeamento de codecs deficiente, problemas com acesso randômico (o OGG não cria índices, os acessos tem de ser feitos de forma binárias, obviamente dificulta o streaming), entre outras coisas.

    httpsss://hardwarebug.org/2010/03/03/ogg-objections/

    Demorei, mas respondi.

  7. Certamente cada um dos formatos tem suas vantagens e desvantagens, mas com relação à implementação em dispositivos móveis isso não parece ser um problema até para os dispositivos mais simples, pois vários “mp3 players” como o meu executam ogg sem maiores problemas. Uma questão que deve ser separada é em relação ao Vorbis e ao Theora. O Theora foi modernizado recentemente e se encontra num estado muito melhor do que muitos codecs de vídeo, já o Vorbis realmente precisa de uma boa atualização para que se torne um formato melhor. Ainda assim, pelo fato de usar bitrate variável, ele consegue gerar arquivos menores que o mp3 em determinadas faixas de qualidade. Além de tudo o formato é aberto, ou seja, qualquer um que quiser propor melhorias é totalmente bem-vindo. Comparativamente, para o uso em vídeo com o Theora, o ogg atualmente está num estado melhor do que para o uso em áudio (via Vorbis), o que não quer dizer que ele não possa ser amplamente usado para reprodução de áudio em computadores e players portáteis, ao contrário do caso do streaming no qual provavelmente deve ser avaliada uma outra alternativa. Ainda vale lembrar que o formato FLAC pode ser usado por aqueles que querem um formato aberto e de alta qualidade, sem perdas.


  8. igor:

    Uma questão que deve ser separada é em relação ao Vorbis e ao Theora.

    Sim, por isso falei do container e não do codec. O Vorbis é ótimo, o problema está no OGG.


    igor:

    O Theora foi modernizado recentemente e se encontra num estado muito melhor do que muitos codecs de vídeo

    Que bom, porque, até ano passado a coisa estava bem ruim.


    igor:

    já o Vorbis realmente precisa de uma boa atualização para que se torne um formato melhor. Ainda assim, pelo fato de usar bitrate variável, ele consegue gerar arquivos menores que o mp3 em determinadas faixas de qualidade.

    O MP3 também pode utilizar bitrate variável, a diferença é que, ao contrário do Vorbis, esta não é a opção padrão. Isso diminui a diferença de qualidade, mas ainda assim o Vorbis é levemente superior.


    igor:

    Além de tudo o formato é aberto, ou seja, qualquer um que quiser propor melhorias é totalmente bem-vindo.

    Juro, se eu fosse um programador talentoso já teria ajudado. Formatos fechados são uma porcaria, e a hegemonia do MP3/MPEG-4/etc se deve em grande parte à pressão dos detentores das patentes.


    igor:

    Comparativamente, para o uso em vídeo com o Theora, o ogg atualmente está num estado melhor do que para o uso em áudio (via Vorbis), o que não quer dizer que ele não possa ser amplamente usado para reprodução de áudio em computadores e players portáteis, ao contrário do caso do streaming no qual provavelmente deve ser avaliada uma outra alternativa. Ainda vale lembrar que o formato FLAC pode ser usado por aqueles que querem um formato aberto e de alta qualidade, sem perdas.

    Ok, provavelmente o problema do overhead foi resolvido (ou ao menos atenuado), mas o fato é que o OGG ainda precisa melhorar bastante pra ser uma alternativa viável em todos os segmentos, só assim ele poderia desbancar os concorrentes proprietários e chamar alguma atenção. O que, nesses tempos loucos onde andam chamando software livre de “pirataria”, seria muito interessante.

  9. Foi feito um esforço enorme para melhor o Theora, isso é relativamente recente: httpsss://hacks.mozilla.org/2009/09/theora-1-1-released/

    É torcer para o OGG como um todo seguir esse processo de melhorias contínuas também, pois só assim as coisas melhorarão.

    Esse caso de Software Livre como pirataria realmente foi bastante interessante, pois toca exatamente nesse questão da propriedade intelectual. Incrível até onde os lobbies conseguem chegar.

  10. Uma nova análise rebatendo ponto por ponto em relação ao OGG foi publicada aqui:
    httpsss://people.xiph.org/~xiphmont/lj-pseudocut/o-response-1.html

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