Uma só América Latina?

Uma das coisas que sempre me intrigou na América Latina foi a divisão entre parte hispânica e a lusitana. Em outras palavras, a distância e ao mesmo tempo a proximidade cultural entre o Brasil e os demais países da região. A questão mais notória é até que ponto a diferença linguística nos separa dos nossos vizinhos.

Imagine que você está em uma conferência dita “latino-americana” fora do Brasil. A maioria dos participantes fala espanhol ou castelhano, como preferirem, quaisquer outros participantes de fora da região falam inglês e ainda há um terceiro grupo: os brasileiros, os quais normalmente falam um pouco de inglês, mas dificilmente entendem e falam espanhol. Ironicamente, em uma conversa entre pessoas de cada um dos 3 grupos, todos acabam falando inglês. Será que essas dificuldades nos diferem a ponto de não nos identificarmos com nenhuma das partes?

Dizer que a mera questão idiomática impede de nos identificarmos como cidadãos latino-americanos é certamente um erro. Se fosse assim, eu certamente não me identificaria com um gaúcho, que é tão brasileiro quanto eu, mas que em alguns momentos parece falar um idioma completamente diferente do meu mineirês de paranaense. Quem defende que somos uma cultura completamente diferente e incapaz de se integrar ao restante do continente, deveria observar as cômicas tentativas de conversa entre um brasileiro e um chileno por exemplo. As dificuldades de comunicação tornam tudo mais engraçado e, no final das contas, não impedem que as pessoas se entendam. Sem contar que o mesmo pode acontecer dentro do Brasil. Lembro de estar em um taxi em Porto Alegre, com dois baianos que estavam na mesma conferência que eu. Um deles, mais viajado, traduzia o que o outro falava para o taxista gaúcho. Isso não nos impediu de chegarmos no nosso destino.

É preciso reconhecer que diferenças de maior ou menor grau existem até mesmo dentro de uma cidade ou diferentes grupos de amigos. Ser considerado latino-americano ou não, nem é o mais relevante. A relevância reside no reconhecimento de que individualmente somos parte de um todo e que felizmente há diversidade suficiente para conseguirmos rir das diferenças uns dos outros.

Category(s): Pessoal, Português

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