De onde você olha?

Certamente uma viagem por si só não muda a visão de mundo nem a ideologia de ninguém, mas ela pode oferecer uma perspectiva diferente em relação aos problemas que já sabemos que existem.

Viver em um país considerado “emergente” com vários aspectos longe da perfeição e visitar um país mais desenvolvido, deixa uma certa decepção em relação ao que temos por aqui. Por outro lado, a visita a um país menos desenvolvido traz a sensação justamente contrária. Esse foi o maior contraste que percebi ao conhecer os Estados Unidos e o Panamá.

A infraestrutura norte-americana é excelente e, infelizmente, estamos muito distantes do melhor que há por lá. É possível perceber que muitas coisas bem feitas não são apenas resultado do dinheiro, elas simplesmente são bem pensadas. Tanto o embarque como desembarque no aeroporto são simples, as funcionárias são prestativas, as estradas são bem sinalizadas e as pistas dos rodovias são enormes e de fácil acesso. Infelizmente não posso dizer o mesmo do serviço de imigração, que é bastante burocrático e paranoico.

Curiosamente, no Panamá há uma grande influência dos Estados Unidos. Por exemplo, o esporte preferido é o beisebol e há jornais escritos tanto em espanhol quanto em inglês. No entanto, os carros e caminhões são notadamente mais antigos. Apesar disso, muitos carros possuem câmbio automático e a maioria é de origem asiática. A cidade do Panamá logo à beira do mar exibe grandes edifícios, um deles pertencentes a Donald Trump, numa bela vista digna das maiores cidades do mundo. O contraste dos prédios modernos com a beleza do Oceano Pacífico cria um cenário lindo, um dos mais bonitos que já vi. O aeroporto é enorme e bastante adequado, mesmo tendo um tráfego alto, por ser um hub no qual passam várias rotas do continente. Apesar da beleza aparente, ao entrar um pouco mais na cidade, fica visível que o Panamá é um país que tem os mesmos problemas de qualquer outro país em desenvolvimento e precisa andar um longo caminho para resolver os problemas existentes. Isso vale tanto para a questão social quanto para a infraestrutura. A disposição da cidade é muito parecida com o Rio de Janeiro. Beleza natural e riqueza à beira do mar e a pobreza logo atrás.

Olhando o país centro-americano como brasileiro, posso reconhecer que o Brasil caminhou muito, mesmo que tenhamos muitos problemas ainda. Quando visitamos um país que ainda não chegou no nosso patamar econômico, vemos o quanto já nos desenvolvemos e melhoramos a vida da nossa população. Até mesmo o nosso transporte público parece bom frente ao panamenho. Por outro lado, quando olho para os modernos trens leves sob trilhos de Tempe, no Arizona, vejo que o Brasil ainda está muito aquém do nível ideal.

Tanto nos Estados Unidos como no Panamá fui muito bem tratado e fiz amigos em ambos países. Como disse no post anterior, as pessoas não são tão diferentes assim. Por isso, seja no Brasil, na África, no Panamá, na Europa ou nos Estados Unidos, todos merecem as mesmas oportunidades e uma qualidade de vida decente. O que ficou claro é que tudo é uma questão de esfera e perspectiva. Não há lugar perfeito, não há segredo. O que existe é trabalho, educação e tempo. Assim como nós, os panamenhos estão lutando duro para melhorar o sistema de transporte deles e o país como um todo. Da mesma forma, os norte-americanos estão lutando para colocar a economia deles de volta aos trilhos. Há quem torça contra, por antiamericanismo de um lado ou preconceito contra latinos de outro. Essas são certamente são as perspectivas erradas. O mundo é um só. O sucesso deles é o sucesso do Brasil, assim como o fracasso.

Category(s): Pessoal, Português

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