José Saramago

Um dia desses estava pensando qual seria o próximo livro que eu iria ler. O nome de Saramago obviamente veio à cabeça pois sempre fui um grande fã. Logo pensei em procurar o último livro que ele publicou, mas então lembrei que não deveria haver nada de novo pois ele faleceu em 2010. Foi então que caiu a ficha. Saramago não publicará mais nada.

O escritor português, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, foi uma das minhas leituras preferidas a partir da adolescência. Polêmico, Saramago sempre foi um homem capaz de expressar claramente suas opiniões e demonstrá-las de maneiras não tão óbvias em seus livros. Ele fugiu da hipocrisia – muito repetida pelos que criticam a falta de religiosidade dos ateus – de que ele se arrependeria em seu leito de morte. Saramago era sincero com seu ateísmo. Certa vez disse que procurava todos os dias por um sinal da existência de Deus, mas nunca o tinha encontrado e morreu assim.

Saramago por Bottelho

Ainda que fiel às suas convicções “religiosas”, era nobre o suficiente para saber mudar de ideia. Inicialmente criticava a reforma da língua portuguesa a qual acabou alterando mais o português de Portugal do que o brasileiro. Em um segundo momento, Saramago chegou à conclusão de que a reforma unificava mais o idioma e que isso era uma coisa boa, já que os países lusófonos poderiam trocar e publicar informações de maneira mais padronizada.

Obviamente Saramago não era perfeito. Era apaixonado pelo comunismo, mesmo este tendo representado grandes atrocidades cometidas pelos seus intransigentes seguidores. É provavelmente aqui onde eu e ele nos distanciamos. Não que ele fosse a favor da opressão e dos assassinatos em massa, mas certamente a empírica mostrou que Saramago estava errado, inclusive em relação aos aspectos sociais e econômicos do comunismo.

Saramago afirmava que não era depressivo, mas admitia ser uma pessoa melancólica, o que era bastante perceptível na sua fala e no jeito de ser. Ele realizou um sonho dele e meu também. Casou-se com alguém que era apaixonada pela palavra, assim como ele era. Vindo de uma família de agricultores, ganhou o mundo com seus estilo de escrita original, mas nunca deixou de lado o conhecimento passado durante sua criação. Gostava de citar uma frase de sua avó Josefa, que cai muito bem aqui neste blog: “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!”.

Category(s): Pessoal
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