O Marco Civil da Internet, nós, você e eu.

No último dia 23 foi sancionado o Marco Civil da Internet, uma lei que em palavras simples determina quais são os direitos e deveres dos cidadãos, governos e empresas com relação à Internet. Pode não ser do conhecimento de todos, mas o projeto desta lei foi inovador não só pelo conteúdo mas pela forma como foi debatido e construído.

Muitos podem argumentar que só ouviram falar de Marco Civil quando a proposta chegou na Câmara dos Deputados, mas isso é apenas desinformação. Quando estive no 10º Fórum Internacional de Software Livre em 2009, as discussões já estavam em andamento. Na 13ª edição, em 2012, pude presenciar  debates mais maduros, com um texto já melhor definido, bem parecido ao que foi sancionado. A proposta apresentada naquela oportunidade já contava com várias modificações em relação ao texto que saiu do executivo e representava um avanço considerável. As alterações foram frutos de consultas feitas pela web e em diversos eventos como o próprio FISL. A própria Internet e seus atores foram utilizados na elaboração do projeto de lei.

Marco Civil Na CâmaraO Artigo 3º do Marco Civil deixa claro que a neutralidade de rede é um dos princípios centrais do texto e no Artigo 9º é explicitado que não pode haver qualquer discriminação de conteúdo, origem, destino ou serviço por parte dos provedores. Em outras palavras, isso quer dizer que a empresa de telefonia que você contratou não pode te cobrar mais por usar o Whatsapp e menos por acessar outros serviços de mensagem a escolha dela. Além disso, a neutralidade garante que o conteúdo deste e outros blogs chegue a você com a mesma prioridade que a notícia de um grande portal. Esse principio implica portanto que novas e mais baratas tecnologias possam florescer, além de garantir igualdade no acesso a qualquer tipo de informação.

A aprovação deste projeto coloca o Brasil na vanguarda das discussões sobre o assunto porque há muitos países que estão apenas começando a luta pela aprovação de leis similares. Nos Estados Unidos, por exemplo, o debate está acalorado em meio a propostas de caráter duvidoso da FCC, a Comissão Federal de Comunicação deles. Vale lembrar que existem muitos lobbies envolvidos, como empresas de telefonia e mídia, que acabam travando os debates. No Brasil conseguimos aprovar esta lei graças a profissionais que entendem bem não só o panorama tecnológico global, mas também a diversidade da nossa sociedade. Entre tantas pessoas envolvidas neste processo, destaco aqui Ronaldo Lemos, um dos precursores do ideia do Marco Civil, e o Deputado Alessandro Molon, relator do projeto de lei na Câmara dos Deputados, os quais acompanhei o trabalho mais de perto. A existência de projetos como este em meia dúzia de países é longe de ser o suficiente devido a natureza global da Internet. A garantia de direitos se faz necessária em todos os lugares, com a aprovação de leis nacionais e internacionais.

É certo que aqui a luta não terminou. Ainda falta a etapa de regulamentação e o ponto mais desafiador: garantir que o que foi aprovado seja efetivamente cumprido na prática. Foi uma longa caminhada até agora, mas precisamos seguir em frente também em outras questões. O Brasil ainda tem muito o que avançar em iniciativas de transparência e governo aberto. Felizmente parece que temos pessoas com boais ideias e capacidade de executá-las. Em meio a tantos problemas no nosso país, a aprovação do Marco Civil mostra que realmente podemos moldar o Brasil. Não adianta só sair para a rua. É no debate e na execução das ideias que reside a verdadeira mudança.

Posted in Português Tagged ,

Facebook, this is not alright!

For months I have been receiving Facebook email notifications that are not related to my personal account. They are bounded to someone else’s Facebook profile, a namesake of myself. This person’s email registered on Facebook is quite similar to mine. The only difference is a dot between the first name and the surname in the username part of our Gmail addresses. Probably he does not know that Gmail treats name.surname@gmail.com and namesurname@gmail.com as the same address as I also did not before running into this issue.

facebugBut how bad is that? Many times I tried to prevent Facebook from sending me those emails by using the “not my account” link they provide on them. It was not enough and I kept receiving them. So today I decided to investigate how far this issue could go and used the “Forgot my password” link instead, then Facebook sent me an email with a code for setting up a new password. You can see where this is going. The password was reset without any further verification and I was logged in! I was logged into an account that is not remotely related to me due to an email typo! It seems that the account was active but it was not fully enabled. The owner might have not received the confirmation email, since it was being sent to me. Then I decided to deactivate the account anyway in order to avoid further confusions and told Facebook what was happening by leaving them a message on the deactivation form. I thought that the two email addresses were from different Gmail accounts but investing further I discovered that it does not matter if your email has a dot or not. If you send messages to name.surname@gmail.com, namesurname@gmail.com and na.mesur.name@gmail.com all of them will be directed to the same mailbox.

Anyway, this is a big security flaw. It is not ok that someone can access an account only because other person made a mistake while typing the email address. If the email address is not verified right after the registration then the Facebook account should be deactivated or should expire after some time. I have been receiving this guy’s friends notifications, friendship requests and suggestions for a long time. They should not have sent emails to me at all, besides the first one confirming the email address.

If you feel insecure about this, the best thing you can do is enabling the two factor authentication feature. Facebook will send a text message to your cell phone in order to confirm your identity. This at least will prevent unauthorized access if someone resets your password.

Posted in English Tagged

Brazil x U.S.A.: the real absurdities about the espionage

The information disclosed by Edward Snowden to the world created a diplomatic incident between Washington and Brasilia. The Brazilian government is fed up with the United States because it seems that our friends from the north are spying on us. We don’t know the real extent of the espionage endeavors, but the press – notably The Guardian’s reporter Glen Greenwald – is saying that Americans are lurking President Dilma Rouseff, her closest interlocutors and Petrobras, the Brazilian state oil company. But why is it so absurd and what can be done to prevent it?

Itamaraty Palace - the headquarters of the Ministry of External Relations of Brazil.

Itamaraty Palace – the headquarters of the Ministry of External Relations of Brazil.

Let me start by explaining what is not absurd: countries spying on each other. Well, that is just how reality is. All countries have intelligence agencies that, among other things, are responsible for gathering information that can be used to take security measures and also to make economic decisions. The diplomats will deny it, specially the economic espionage. The ones who were spied on will pretend to complain. The spies will pretend to change their methods. It is the diplomacy game. It is well known that states naturally tend to expand behavior and control to outside their boundaries. That is basic lateral pressure theory, commonly used on International Relation studies.

The first real absurd about this story is the fact that an employee, in the position of Snowden, could have access to that kind of piece of information. This is just bad information management and security. It is obvious that the United States government is not protecting highly classified information in a proper way. The second point is that they are not using this information effectively. The huge amount of data the NSA collects doesn’t seem enough to prevent attacks like the unfortunate incident in Boston earlier this year. The last absurdity, and more important in my opinion, is what governments didn’t do to prevent espionage as well as information leaks. The open source software community has been ringing this alarm for years. Jon Hall wrote a nice open letter to President Rousseff about this. Open source should be a crucial element for information and technological sovereignty. States as well as its citizens must know how the software used by public administration works exactly. The code must be auditable. Otherwise we are just asking for trouble. Otherwise we are blind.

I have been working with information security for a while now and I am under the impression that people in general don’t care about security until something really bad happens. Don’t do like our governments. Don’t wait until someone steel your data. Of course there isn’t a system or method 100% secure but risks can be minimized in great degree. We live in an information age and we need to take care of our data, and so does the governments.

And please… stop disabling SELinux!

 

Posted in English Tagged ,

Achado (não) é roubado

Em um post anterior abordei como a pequena e a grande corrupção do dia a dia deterioram as relações pessoais, econômicas e profissionais no Brasil. Agora é a vez de contar o que percebi sobre o mesmo assunto por meio de uma situação bastante específica em outro país.

Não há dúvida de que no Brasil impera a “Lei de Gérson” para as pequenas e as grandes situações das quais se pode tirar vantagem indevidamente. Com relação a crimes do colarinho branco, peculato e lavagem de dinheiro, há muitos países tão ou mais corruptos como o nosso, mas nas pequenas coisas do cotidiano a diferença parece ser mais discrepante.

Em janeiro de 2011 eu estava caminhando pelas de ruas de Tempe, nos Estados Unidos, com um amigo da Nicarágua procurando por um lugar para jantar. Foi então que me deparei com uma loja de livros usados. Já era um pouco tarde e a loja estava fechada, porém havia vários livros numa estante do lado de fora. Sim, os livros estavam lá organizados para quem quisesse pegar, juntamente com uma nota dizendo que, se alguém estivesse interessado em um deles, era para deixar o dinheiro por debaixo da porta.

Comentei com o meu amigo que deixar livros disponíveis daquela forma seria impensado no Brasil. Obviamente não sobraria nenhum. Todos seriam pegos sem deixar nenhum centavo por debaixo da porta. “Achado não é roubado” certamente seria uma boa racionalização para desculpar o ato. A educação no Brasil é falha tanto sob o aspecto do ensino, quanto sob o aspecto cultural. O problema do ensino pode ser resolvido com investimentos em escolas, professores e metologias, mas no aspecto cultural a solução é ainda mais difícil e demorada. Provavelmente daqui a 50 anos teremos uma população melhor capacitada, mas ainda sem educação. Para resolver o problema cultural precisaríamos de várias gerações e uma reengenharia em como nossa sociedade funciona.

Recomendo fortemente a palestra do Fábio Barbosa no TEDxSP 2009 sobre “Ir bem em um país que vai mal”. Ele aborda principalmente o caso brasileiro, mas toca também em como a própria sociedade norte-americana sofre dos mesmos problemas. Entretanto, no caso deles, ao invés de isso se manifestar nas pequenas coisas do dia a dia como a compra de um livro, frequentemente acontece na falta de consciência na forma como se fazem negócios. Basta lembrar a crise iniciada em 2008, resultado da falta regulação do mercado financeiro, da ganância e especulação. O fato é que tanto aqui como lá, não pode é ficar a certeza da impunidade. Embora a intensidade seja diferente, um livro ou um milhão de dólares roubados, a canalhice é a mesma. As sociedades devem se organizar para primeiramente evitá-la e em segundo lugar puni-la. Entretanto, parece que o Brasil ainda está longe do ideal tanto na punição, mas principalmente na prevenção. Transparência.

Posted in Pessoal, Português

Uma só América Latina?

Uma das coisas que sempre me intrigou na América Latina foi a divisão entre parte hispânica e a lusitana. Em outras palavras, a distância e ao mesmo tempo a proximidade cultural entre o Brasil e os demais países da região. A questão mais notória é até que ponto a diferença linguística nos separa dos nossos vizinhos.

Imagine que você está em uma conferência dita “latino-americana” fora do Brasil. A maioria dos participantes fala espanhol ou castelhano, como preferirem, quaisquer outros participantes de fora da região falam inglês e ainda há um terceiro grupo: os brasileiros, os quais normalmente falam um pouco de inglês, mas dificilmente entendem e falam espanhol. Ironicamente, em uma conversa entre pessoas de cada um dos 3 grupos, todos acabam falando inglês. Será que essas dificuldades nos diferem a ponto de não nos identificarmos com nenhuma das partes?

Dizer que a mera questão idiomática impede de nos identificarmos como cidadãos latino-americanos é certamente um erro. Se fosse assim, eu certamente não me identificaria com um gaúcho, que é tão brasileiro quanto eu, mas que em alguns momentos parece falar um idioma completamente diferente do meu mineirês de paranaense. Quem defende que somos uma cultura completamente diferente e incapaz de se integrar ao restante do continente, deveria observar as cômicas tentativas de conversa entre um brasileiro e um chileno por exemplo. As dificuldades de comunicação tornam tudo mais engraçado e, no final das contas, não impedem que as pessoas se entendam. Sem contar que o mesmo pode acontecer dentro do Brasil. Lembro de estar em um taxi em Porto Alegre, com dois baianos que estavam na mesma conferência que eu. Um deles, mais viajado, traduzia o que o outro falava para o taxista gaúcho. Isso não nos impediu de chegarmos no nosso destino.

É preciso reconhecer que diferenças de maior ou menor grau existem até mesmo dentro de uma cidade ou diferentes grupos de amigos. Ser considerado latino-americano ou não, nem é o mais relevante. A relevância reside no reconhecimento de que individualmente somos parte de um todo e que felizmente há diversidade suficiente para conseguirmos rir das diferenças uns dos outros.

Posted in Pessoal, Português

De onde você olha?

Certamente uma viagem por si só não muda a visão de mundo nem a ideologia de ninguém, mas ela pode oferecer uma perspectiva diferente em relação aos problemas que já sabemos que existem.

Viver em um país considerado “emergente” com vários aspectos longe da perfeição e visitar um país mais desenvolvido, deixa uma certa decepção em relação ao que temos por aqui. Por outro lado, a visita a um país menos desenvolvido traz a sensação justamente contrária. Esse foi o maior contraste que percebi ao conhecer os Estados Unidos e o Panamá.

A infraestrutura norte-americana é excelente e, infelizmente, estamos muito distantes do melhor que há por lá. É possível perceber que muitas coisas bem feitas não são apenas resultado do dinheiro, elas simplesmente são bem pensadas. Tanto o embarque como desembarque no aeroporto são simples, as funcionárias são prestativas, as estradas são bem sinalizadas e as pistas dos rodovias são enormes e de fácil acesso. Infelizmente não posso dizer o mesmo do serviço de imigração, que é bastante burocrático e paranoico.

Curiosamente, no Panamá há uma grande influência dos Estados Unidos. Por exemplo, o esporte preferido é o beisebol e há jornais escritos tanto em espanhol quanto em inglês. No entanto, os carros e caminhões são notadamente mais antigos. Apesar disso, muitos carros possuem câmbio automático e a maioria é de origem asiática. A cidade do Panamá logo à beira do mar exibe grandes edifícios, um deles pertencentes a Donald Trump, numa bela vista digna das maiores cidades do mundo. O contraste dos prédios modernos com a beleza do Oceano Pacífico cria um cenário lindo, um dos mais bonitos que já vi. O aeroporto é enorme e bastante adequado, mesmo tendo um tráfego alto, por ser um hub no qual passam várias rotas do continente. Apesar da beleza aparente, ao entrar um pouco mais na cidade, fica visível que o Panamá é um país que tem os mesmos problemas de qualquer outro país em desenvolvimento e precisa andar um longo caminho para resolver os problemas existentes. Isso vale tanto para a questão social quanto para a infraestrutura. A disposição da cidade é muito parecida com o Rio de Janeiro. Beleza natural e riqueza à beira do mar e a pobreza logo atrás.

Olhando o país centro-americano como brasileiro, posso reconhecer que o Brasil caminhou muito, mesmo que tenhamos muitos problemas ainda. Quando visitamos um país que ainda não chegou no nosso patamar econômico, vemos o quanto já nos desenvolvemos e melhoramos a vida da nossa população. Até mesmo o nosso transporte público parece bom frente ao panamenho. Por outro lado, quando olho para os modernos trens leves sob trilhos de Tempe, no Arizona, vejo que o Brasil ainda está muito aquém do nível ideal.

Tanto nos Estados Unidos como no Panamá fui muito bem tratado e fiz amigos em ambos países. Como disse no post anterior, as pessoas não são tão diferentes assim. Por isso, seja no Brasil, na África, no Panamá, na Europa ou nos Estados Unidos, todos merecem as mesmas oportunidades e uma qualidade de vida decente. O que ficou claro é que tudo é uma questão de esfera e perspectiva. Não há lugar perfeito, não há segredo. O que existe é trabalho, educação e tempo. Assim como nós, os panamenhos estão lutando duro para melhorar o sistema de transporte deles e o país como um todo. Da mesma forma, os norte-americanos estão lutando para colocar a economia deles de volta aos trilhos. Há quem torça contra, por antiamericanismo de um lado ou preconceito contra latinos de outro. Essas são certamente são as perspectivas erradas. O mundo é um só. O sucesso deles é o sucesso do Brasil, assim como o fracasso.

Posted in Pessoal, Português

Viagens, diferenças e igualdades

’

Nos últimos anos tive a oportunidade de viajar para alguns lugares como voluntário do Projeto Fedora, mas como essas viagens sempre envolveram conferências e fóruns, os relatos aqui no blog sempre foram mais sobre os eventos e pouco sobre os lugares em si. Agora que esta fase ficou para trás e já com distância suficiente dos fatos e vivências, achei uma boa ideia contar sobre o que percebi nas viagens que fiz.

Sou um péssimo observador de comportamentos e pessoas, portanto minha intenção não é falar sobre elas especificamente mas sim sobre aspectos mais gerais como cultura, economia, infraestrutura e condições sociais. Cá pra nós, vou adiantar a minha conclusão sobre as pessoas: individualmente somos tão parecidos que ficaria extremamente chato abordar esse assunto. O que nos difere são características tão pontuais que, apenas no conjunto, fazem a diferença.

A grande vantagem de viajar para conferências é que a experiência é muito diferente do turismo comum. Você simplesmente não fecha um pacote e vai com a mesma turma do seu voo conhecer lugares turísticos, visitando-os apenas para tirar fotos e depois voltando diretamente para o hotel. Numa conferência, é possível conhecer várias pessoas do lugar visitado e também de outros lugares. Isso permite conhecê-las, ajudá-las, ser ajudado, em alguns casos até visitar a casa delas e ir ao bar onde elas sempre vão. É uma imersão muito mais rica, mas claro que essa experiência também é possível numa viagem com o único propósito de fazer turismo, basta planejá-la com este intuito.

Talvez você esteja pensando que haja uma contradição entre o que eu disse anteriormente a respeito das pessoas e sobre como faz diferença conhecê-las. O meu ponto é que seja um mineiro, um paranaense, um chileno ou um americano, não importa, todos têm anseios, objetivos, gostam de umas coisas, odeiam outras, passam por bons e mal momentos, querem ser felizes ou pelo menos ter uma vida digna. As maneiras de se alcançar tudo isso de fato variam, em parte pela personalidade de cada um, em parte pelo contexto em que elas estão inseridas.

Um turismo de mera visitação pode oferecer uma visão artificial do lugar, há detalhes que não podem ser entendidos apenas pelas construções ou pela beleza natural. Esses detalhes estão no cotidiano das pessoas e, por sua vez, refletem na economia, na infraestrutura e na sociedade como um todo. Em contrapartida, todos esses grandes aspectos também refletem no cotidiano de cada um. Certamente, conhecer lugares e pessoas durante uma semana em uma conferência não quer dizer que eu tenha conhecido tudo a fundo, mas permitiu uma percepção razoável da realidade do local, principalmente quando estive envolvido na organização dos eventos. Não farei um post específico de cada lugar, ao invés disso eles serão sobre aspectos que percebi ou sobre o contraste que há entre dois ou mais lugares. Nos lemos no próximo post!

Posted in Pessoal, Português

Fedora, it’s time for me to call it a day

FUDCon Tempe

This is the hardest blog post in years for me. I’ve seen some admirable folks leaving the Fedora Project during all this time I’ve been a contributor and I always imagined how they felt. It’s my turn, and I know how they felt now.

It was more than 6 years as a Fedora contributor and I’m pretty proud of all of those years, from the yearly days of the Brazilian Portuguese translation team to the two FAmSCo terms, and all other projects: the Spin SIG, internationalization and quality assurance. The Fedora Project is something very important in my life. It is the longest thing I ever did. Longer than high school, longer than college, longer than any job so far. I’m glad that I was able to meet and work with so many interesting and intelligent people from different parts of the word. It was a wonderful experience.

FUDCon Porto Alegre

Most of my classmates at college made the choice of doing internships and others decided for scientific initiation scholarships. I decided to contribute to Fedora during college. I still remember how many times I though about stopping to contribute because of finals, papers and classes. Things were pretty hard during the first semesters. Right after those second thoughts something interesting to do appeared at the Fedora land: a new software to translate, a test case that could be improved or a talk at an important event. Frequently I was busy with college related stuff and its many deadlines and Rodrigo always came to me saying something like: “I was invited for writing an article about Fedora to an international magazine. Do you want to write it with me? The deadline is next week!”. Those things were hard to accomplish but they were also fun.

FUDCon Santiago

I’m leaving because there are many other things to be done in my life right now. I got my bachelor degree last year and next year I want to go back to study, besides I need to get some rest. Now it’s time to look forward and figure out what else is possible. Of course Fedora will keep powering my computers and open source software will continue to be my main choice. I also realize that there another interesting things going on like open government initiatives and the application of open source principles on other areas beyond software development. I’m definitively going to pay more attention to those subjects in the next years.

FUDCon Tempe

I want to say a special “Thank you” to the folks who supported my first contributions to the Fedora project: David Barzilay and Rodrigo Padula. If today Fedora has a growing community in Latin America is because of the groundwork of those two folks. They started out our regional community from scratch, so don’t forget about them. I also want to thank all the Fedora Projects Leaders I had the privilege to meet and work with: Greg DeKoenigsberg, Max Spevack, Paul Frields, Jared Smith and Robyn Bergeron. Thanks for all the support during those years. I’m not forgetting all the fedorian friends who joined the project over the years. I learned a lot from each of you. Feel free to keep in touch! Thanks, everyone!

FUDCon Panama

Posted in English, Fedora Tagged

Amor que salva a corrupção

Menos de um mês para as eleições municipais e não é de hoje que os candidatos estão poluindo nossas ruas e nossos ouvidos. Além disso, é só mais uma época em que os cidadãos corruptos reclamam de seus políticos igualmente corruptos. Um bom exemplo disso é uma das minhas personagens políticas favoritas: Weslian Roriz. Quem não se lembra dela?

Obviamente ninguém se lembra de Weslian. Ela é mais conhecida por ser a mulher de Joaquim Roriz, ex-governador do Distrito Federal, que depois de ser acusado de corrupção desistiu de sua candidatura e a empurrou sem paraquedas para substituí-lo na campanha eleitoral. O caso foi amplamente noticiado devido a total falta de traquejo político de Weslian, que em meio a sua confusão mental em um debate, nos presenteou com sua famosa frase: “Eu quero defender toda aquela corrupção.”

O aspecto interessante de Weslian Roriz não é ela em si, muito menos sua cômica performance política, mas sim o fato haver várias “weslians” por aí. Infelizmente vivemos num país no qual a leniência com atitudes temerárias é geral. Weslian é um clichê. É a mulher que defende o marido corrupto haja o que houver. Na verdade ela poderia ser qualquer mulher que defenda o amigo, namorado, amante, chefe, irmão ou correligionário. Sem dúvida ela poderia também ser um homem que faz vistas grossas para a esposa que sorrateiramente desvia dinheiro público para complementar o “orçamento familiar”.

Fatos como esses podem ser encontrados em maior ou menor grau no nosso dia a dia, mas Weslian nos deixou uma lição: o amor está acima de tudo. Pelo menos o que ela chama de amor. Não há dúvidas de que ela ama Joaquim. O amor de Weslian é vazio de ética, coerência e comprometimento com o restante da sociedade. Para ela não importa quantas pessoas Joaquim tenha deixado na mão durante sua carreira. Weslian não tem qualquer empatia por elas. Talvez, por desinteresse, ela nem soubesse das mutretas do marido. O fato é que ficar sabendo pela imprensa de tudo o que acontecia debaixo do seu nariz não fez diferença. Também não fez diferença a impugnação da candidatura dele com base na Lei da Ficha Limpa. Dentro de casa, o ex-governador pode até mesmo ser um bom marido, o que não o dissocia do homem desonesto que é fora dela. Na verdade, o nobre Joaquim deve ser um homem incompreendido pela sociedade. As acusações certamente são invencionices de seus adversários políticos e do Tribunal Superior Eleitoral. Entretanto, caso sejam verossímeis também não importa. Para Weslian, ele já deve ser um homem refeito. Afinal de contas todo mundo merece uma 13ª chance na vida. Roriz cedeu sua candidatura para a mulher de maneira relutante. Isso porque ele é o clichê análogo a Weslian. Homens como ele, num primeiro momento, negam veementemente o erro, dizem que não foi bem assim, que não é o que parece. Somente desistem ou pedem desculpas quando são pressionados ou instruídos para tal. Sacrificam o ego no curto prazo para inflá-lo no longo prazo, mas ainda são incapazes de reconhecer os erros por si sós.

Como um de nossos piores aspectos culturais, a corrupção permeia e deteriora as relações pessoais, profissionais, econômicas e políticas. Weslian seguramente não sabe que corrupção passiva também é crime, que ela é tão errada quanto ele, que não é difícil dizer quem ela é pela análise de quem ele é. O casal Roriz é só uma versão exacerbada do que acontece por todo país. São uma versão do sujeito que não cumpre com suas obrigações profissionais, do camarada que coloca uma “TV a gato”, do “cidadão” que joga lixo na rua, do hipócrita que reclama dos políticos mas não olha para sua própria corrupção. Como pessoas assim terão moral para educar os próprios filhos? Não sei, mas eles o farão mesmo assim. Os Roriz conseguiram. Felizmente vivemos numa democracia e, seja na nossa vida pessoal ou política, podemos escolher tornar essas pessoas partes da nossa vida ou não. Bom voto!

Posted in Pessoal, Português

FISL 13 – Event Report

The 13th International Free Software Forum took place in Porto Alegre, Brazil on July 25-28 and the Fedora Project was there once again. In addition to FISL, we also held two Fedora Activity Days to put translations in shape for Fedora 18.

During our two hour long community event we had several short talks about Fedora. I opened the talks session introducing the audience to the Fedora Project, explaining how our community is organized, our core values and how people can get involved. Jorge Lopes, the coordinator of the pt_BR translation team was next and talked specifically about the L10N project. Then Daniel Bruno, one of the FAmSCo members, presented the features of Fedora 17 and the upcoming Fedora 18 release. After that, Itamar Peixoto, who was awarded with the Fedora Scholarship talked about the ARM architecture and how Fedora currently manages it. Next, Wolnei Junior delivered a talk on Fedora Spins and how to build and customize them. To wrap it up, Hugo Lima presented the RHN Satellite and Spacewalk features. We also took some time to give an interview to the Free Software Radio Station. The chat was about what Fedora stands for and how education can benefit from open source.

The FAD took place at the hotel, so we had the time and space necessary to concentrate on the actual work that needed to be done. We updated the translations for the Fedora website, Anaconda, virt-manager, virt-viewer and setroubleshoot. I am glad that we managed to do a FAD the way it should be done along with other bigger event. Although the main event can be distracting, it is also a great opportunity to get people together and do some work.

I want to thank Daniel Bruno for helping me on the organization of our community event, Neville Cross for his help on the budget side and all folks who attended to our activities and made our participation at FISL happen this year.

Posted in English, Fedora Tagged ,